O poder do proibido
Lembro que em 2009 a polícia prendeu um médico que praticava aborto em Curitiba e em sua clínica encontraram R$40 mil em dinheiro vivo, embalado em envelopes. Ele cobrava até R$5 mil das mulheres para praticar o aborto. Cinco mil. Não é atoa que o Capitão Nascimento cita a clínica de aborto como um dos agentes financiadores do sistema corrupto da polícia do Rio de Janeiro.
Dizem que a maconha é a porta de entrada para outras drogas e no panorama atual é mesmo. O traficante faz questão de viciar seu cliente no maior número de drogas possível, podendo transformar aquele maconheiro ocasional em um zumbi do crack num passe de mágica. Assim surgiram figuras como Fernandinho Beira-Mar e Nem da Rocinha.
Sabe aquela barraquinha verde ou azul que tem ou tinha aí na esquina, perto da padaria? Aquela que quando sua mãe ou seu pai sonhavam com um animal ou com alguém que lembrasse um animal, mandavam você levar um dinheiro e apostar no animal do sonho? Cujo o dono era uma pessoa simples e pobre, era sempre cheia de papéis, cheios de números, algumas canetas… Lembra?
Pois é essa barraquinho que enriqueceu o hoje temido empresário(?) Carlinhos Cachoeira, que, aparentemente sem muita dificuldade, criou uma enorme quadrilha cheia de influência em diversos setores e níveis do governo, numa teia que envolve empresas privadas, vereadores, prefeitos e até deputados e senadores. Essa rede foi descoberta e vai sendo desmascarada aos poucos, mas… você acredita que é a única? Eu não.
Este post não tem muita pretensão, apenas te fazer pensar em questões como:
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Até a onde uma proibição ajuda e até onde ela atrapalha o funcionamento da sociedade?
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Vale a pena proibir um procedimento cirúrgico por motivos religiosos?
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Vale a pena proibir a venda e consumo de uma erva apenas por ignorância histórica?
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Vale a pena proibir jogos de azar, não por uma questão filosófica, mas para coibir a concorrência com os jogos de azar públicos?
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Vale a pena proibir?
Era pós-Megaupload: hora dos artistas independentes?
No dia seguinte ao veto do projeto de lei norte-americano que visava colocar maior controle sabre o conteúdo compartilhado na internet, o maior site de compartilhamento do mundo foi fechado pelo FBI por violação dos direitos de propriedade intelectual. Kim DotKom, dono do site, corre o risco de ficar preso por muito, muito tempo, além de ver grande parte de sua enorme fortuna ir ralo abaixo.
Vendo tudo isso, diversos sites começaram a mudar seus perfis para não cair na mesma cova. Na prática, foi como se o SOPA (Stop Online Piracy Act ) e o PIPA (PROTECT IP Act) tivessem sido aprovados. Do dia para noite, a internet mudou completamente seu modo de enxergar o compartilhamento de arquivos e passou a se repensar.![]()
Por trás desse movimento todo, existem grandes lobbys nos bastidores, o principal deles por parte das grandes gravadoras e estúdios, que preveem que seu fim está próximo. Acontece que essas detém os direitos de reprodução das músicas e filmes e é cobrando por isso que elas obtém seu lucro, que não é nada modesto.
Adquirir legalmente o direito de ouvir ou assistir uma obra das lobistas não é nada fácil. O processo para poder ouvir o MP3 que você deseja ou assistir o filme do momento em seu computador é bem burocrático e a internet não combina com burocracia.
Qual a melhor saída neste cenário? Simples, cortar o intermediário. Artistas independentes, que não tem contrato com gravadoras ou estúdios, podem usar a internet para disponibilizar seu conteúdo diretamente ao público. Assim, todos os lucros relacionados a obra vão diretamente ao artista.
Esse tipo de negócio já existe e vem ganhando cada vez mais espaço. Grandes grupos, como o Radiohead, já disponibilizaram seus conteúdos para público livremente pela internet.
Diante da enorme pressão contra o compartilhamento, uma boa saída para os usuários da internet é divulgar e incentivar o conteúdo livre. Uma mudança de cultura nesse sentido deixará sem saída os que hoje querem forçar a manutenção das coisas como eram.
Acusação é coisa séria
Essa semana começou o terror das redes sociais. O programa Big Brother Brasil prometia trazer com ele uma chuva de discussões vazias sobre o comportamento isolado de alguns brothers , como já aconteceu em edições anteriores. ![]()
No BBB 10, a grande discussão era “Dourado é homofóbico ou não?”
Desta vez, o silêncio prevaleceu nos primeiros dias de programa. Parecia que finalmente a BBBmania tinha acabado. Doce ilusão. Bastou que a primeira festa acontecesse para que a primeira grande polêmica aparecesse.
Acontece que, como sempre, os brothers costumam beber até quase caírem e os participantes Daniel e Monique não fizeram diferente. Daniel, entre uma bebida e outra, tentava atacar todas as meninas da casa, enquanto Monique chorava por algum motivo qualquer. Mas, no fim da festa, os dois ficaram e foram dormir juntos. É aí que começou a confusão.
Em um dado momento, Daniel começa a se movimentar embaixo do edredom, enquanto Monique parece imóvel (assista antes que apaguem). Para muitos, isso PROVA de que não só Monique estava inconsciente, mas que Daniel teria abusado sexualmente da moça.
No dia seguinte, devido ao enorme buzz que o caso rendeu na internet, Monique foi chamada ao confessionário para tirar o caso a limpo. Disse que estava consciente de tudo (ou seja, ficou mesmo com Daniel e lembra que foi para cama com ele). Mas ao saiu de lá preocupada, achando que podia não lembrar de alguma coisa. Daniel disse que foram só beijos e amassos. Monique permanece preocupada.
Porém o estrago já está feito. Independente do que aconteceu, já tem muita gente que tem certeza de que se tratou de um estupro e que Monique está confusa e não se lembra. No Twitter, Boninho é bombardeado por pedidos para que Daniel seja expulso.
No caso todo o mais impressionante é a capacidade que as pessoas tiveram de julgar a situação tão rápido. Apesar de qualquer especialista considerar impossível afirmar sequer que houve algum contato mais íntimo sob os lençóis ou mesmo que Monique estaria desacordada no momento de maior movimentação, as pessoas foram velozes ao sacramentar a conduta de Daniel, que já está fadado à deixar o programa na primeira oportunidade.
Aqueles que não julgaram Daniel, julgaram Monique, dizendo que a culpa pelo abuso foi dela, que bebeu demais e perdeu o controle. Ou seja, é tudo deprimente. Duas pessoas passam da conta na bebida, não respondem por seus atos e são sumariamente julgados.
Ainda é cedo para dizer quem está errado na história, mas já podemos dizer que ninguém agiu certo.
[FOTO] A situação nos bastidores do PT
O Congresso do PT acontece em um momento particularmente interessante. O governo tem sido bombardeado por denúncias de corrupção. Dilma não dá margem para seus “companheiros”, e a saída de diretorias inteiras já tem se tornado rotina nos ministérios. A atitude elogiosa só tem irritado os partidos de fachada, que só existem para sugar a máquina pública.
Se aproveitando do momento politicamente frágil de Dilma, José Dirceu se articula para manter sua enorme influência nas decisões tomadas no Planalto. Dizem que anda conspirando contra o governo da colega de partido.
No meio desse cabo de guerra está Lula, ainda o manda chuva oficial do partido. Lula confia em Dirceu há muito tempo e aprendeu a admirar Dilma como administradora. Tanto que já declarou abertamente seu apoio para a reeleição da presidente, mesmo faltando tanto para o pleito.
A foto praticamente resume essa história toda. Dirceu maquiavélico, Dilma preocupada e Lula indeciso. Os próximos meses serão interessantes no Partido dos Trabalhadores.
Quem deve controlar a natalidade do país?
Problemas de infraestrutura, crescimento da violência, do desemprego e das taxas de analfabetismo são alguns dos fatores que podem ser causados por uma explosão demográfica. Quando o aumento da população extravasa o planejado pelos órgãos públicos, os problemas não demoram à saltar aos olhos. Por isso, para alguns, se a o controle da natalidade não é a solução para os problemas, ao menos dá maior controle para um planejamento mais preciso.
A China tem um rigoroso sistema de controle de natalidade desde os anos 70, quando a taxa de filhos por casal era de 5,9. Isso mesmo, cada casal tinha em média 6 filhos. Esse índice caiu para 1,7 em 2005, trazendo à tona a outra face do sistema. Acontece que, devido à política chinesa de “um só filho”, o número de meninas abortadas é grande e, ainda em 2005, para cada 100 meninas nasciam 118 meninos. Isso se deve ao fato das famílias preferirem meninos para ajudarem nos trabalhos domésticos, principalmente em áreas rurais.
Vê-se que o sistema chinês é extremamente cruel com as famílias mais humildes, que precisam decidir a vida de um filho baseado em suas necessidades econômicas. E no Brasil, qual seria a tônica da discussão?
O deputado estadual Antônio Salim Curiati (PP), ao longo de seus 83 anos e extremamente revoltado por ter sofrido um assalto deu o tom da discussão. “A Dilma vem falar do Bolsa Família. Aí você agracia a comunidade carente, e eles começam a ter filhos à vontade. É preciso controlar a paternidade (sic).”
Ele não é o primeiro e nem o único a pensar dessa maneira. Antes da Dilma, antes do Lula, lá na era FHC, quando começaram os primeiros movimentos mais relevantes na área social, já temiam o Bolsa Escola. Muitos conservadores viam a ideia, que pretendia diminuir a evasão escolar, como um enorme incentivo para os pobres terem filhos. Na prática, o que essas pessoas e o próprio Curiati temiam (e ainda temem) é a proliferação dos pobres.
Os discursos pró-aborto, de início apenas feministas, hoje voltam-se apenas para o problemas sociais, como gravidez na adolescência ou planejamento familiar. As pílulas anticoncepcionais são distribuídas nos postos de saúde. Cirurgias “pra não ter mais filhos” são pagas pelo SUS e a fila de espera é grande. Mesmo assim, Curiati e companhia acreditam que não basta incentivar, esclarecer a população. É preciso controlar. Controlar a paternidade (sic).
Mas antes de se pensar em qualquer discussão sobre a possibilidade de um controle de natalidade, é preciso lembrar que o país, embora laico, segue a batuta da Bíblia, que diz claramente, logo no Capítulo 1:28 do Gênesis:
E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
E você, é a favor ou contra o governo controlar a natalidade?
Estão prontos?
O ano de 2011 tem se mostrado único. Talvez pela popularização dos meios alternativos de informação, talvez pela maturidade da globalização, mas é fato que um há muito não se via um fluxo tão grande de transformações sociais, algumas extremamente radicais. Para citar as mais importantes, podemos lembrar da Primavera Árabe, sequência de protestos massivos, com extensa participação popular, visando derrubar ditaduras. O espírito de luta que se inflamou primeiro no Egito e se espalhou pelo Oriente Médio e Norte da África está prestes a atingir a China.

O uso das redes sociais para a organização das mobilizações foi elogiada pelo ocidente, que não gostou nada da ideia dos ditadores de bloquearem a internet e fizeram de tudo para manter a população conectada. Pouco tempo depois, a população pobre da Inglaterra usou da mesma arma para se mobilizar e os governantes ocidentais de 1º mundo cogitaram bloquear a internet “em defesa da ordem e dos bons costumes”. Quando é censura e quando é manutenção do bem estar da população? Quem decide isso?
No Brasil, não se mudou muita coisa no cenário político. Mas as discussões estão acaloradas em outros campos. Como em anos anteriores, a Marca da Maconha, que defende o livre direito de consumo da erva, acabou chamando atenção para o direito de ser livre. A Marcha foi proibida em diversas cidades, sob alegação de apologia. Criou-se então a marcha pela liberdade de expressão. A marcha ocorreu, porém foi censurada. Vivemos em um país livre ou não?
Por falar em constituição, os homoafetivos tiveram o direito à união civil reconhecido. Um ou outro juiz religioso simplesmente não acatou a decisão do Supremo Tribunal e desfez ou se recusou a realizar diversas uniões entre companheiros do mesmo sexo, alegando que a constituição exige, acima de tudo, a preservação da espécie humana, indicando que casais homoafetivos não podem se procriar, logo são um risco para o seguimento da espécie. Até onde a não proliferação atrapalha a preservação? Somos um país laico ou devemos nos render de vez às vontades d’Ele?

São essas questões que vamos discutir, debater neste blog. Porém, a ideia não é mostrar apenas uma das perspectivas e sim todas as possíveis. É preferível que as idéias se confrontem, se embatam, para que de cada micro Big Bang filosófico novas idéias possam aparecer, mais puras, mais maduras, melhores. Dos autores, nada exigimos, além de suas opiniões. Dos leitores, pedimos mente e almas abertas para receber novas experiências, digeri-las e transforma-las em um pensamento novo e em motivação, motivação para passar o conhecimento para frente.
Sejam bem vindos e estejam prontos para o embate.

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